Eu frequentemente me espanto com minha capacidade de procrastinar. Escrevendo isso agora, eu sinto um estresse enorme no meu corpo, vontade de morder o lábio, de ranger os dentes, de coçar minhas mãos, de pegar meu celular e mergulhar meu rosto até que todos musculos do meu corpo se desliguem e eu fique completamente hipnotizado por centenas de vídeos de 15 segundos. Então eu me encontro nessa situação, completamente anestesiado, incapaz de manter qualquer projeto de longo termo simplesmente por me sabotar dia após dia, como se eu estivesse preso numa espécie de limbo. Pois então eu proponho duas perguntas, “como eu vim parar aqui?” e “como eu saio desse lugar?”.
Para respondermos a primeira pergunta eu poderia discorrer sobre o meu passado inteiro, sobre cada momento que me fez ser quem eu sou hoje, mas vou tentar ser breve e não ser tão específico quanto a momentos da minha vida, generalizar mais sobre meus pensamentos. E é aí que chegamos no ambiente.
O ambiente molda qualquer pessoa. Não existe individualidade que rivalize com o ambiente, isto é, não importa o quão forte você seja, você sempre será, em algum nível, moldado pelo ambiente que você se encontra agora.
A situação não é boa. Isolamento social misturado com uma certa imaginação fantasiosa fazem com que meus dias se pareçam todos iguais. Monotonia. E isto, certamente causa certo estresse, que causa ansiedade, que faz com que eu durma mal, que me leva a continuar nesse estado atual. São incontáveis epifanias madrugais que já tive onde escrevi em meu caderno de anotações tudo que deveria mudar, o que eu deveria fazer a partir de tal momento, divagando e estimando quais seriam as mudanças que eu faria para sair do limbo.

Falando em limbo, posso falar do jogo que leva esse nome, e não, não vou falar de como jogar esse jogo mudou minha vida, até por que eu nunca sequer joguei esse jogo, porém, vendo algum youtuber da década de 2010s jogar esse jogo, eu decidi procurar o que essa palavra significava, e de algum modo, isso me marcou bastante. Até então eu nunca tinha imaginado o conceito do limbo, (Esse jogo é de 2010, e eu nasci em 2002) e isso me fez pensar muito em como seria ficar congelado, sem noção do tempo espaço, sem perspectiva e sem passado. Achei pertinente contar essa história por que durante esse post eu já citei duas vezes o tal “limbo”, então, de certa forma foi algo que ficou comigo, uma palavra que de tempo em tempo entra em voga na minha mente, e essa foi a sua origem.

L’important c’est pas la chute, c’est l’atterrissage
Eu estava falando hoje com um amigo que está depressivo, num estado pior que o meu. Meu amigo trabalha, faz faculdade online, joga Counter Strike, come lanche e bebe energético enquanto fuma seu vape dentro do seu apartamento, sozinho. E sabe o melhor? Quando falo para ele que ele deveria fazer coisas diferentes, conhecer pessoas novas, sair mais de casa, ele simplesmente responde que não quer, e que prefere ficar do jeito que está, sem pensar muito nos problemas. Já faz pelo menos um ano que ele só faz isso e eu fico me perguntando, qual é o destino que aguarda ele? Para que insistir na auto-destruição?
Isso me fez lembrar do filme frances “La Haine”, onde três adolescentes que vivem em um bairro suburbano em Paris, convivem com seu ambiente cheio de drogas, criminalidade, com falta de estrutura familiar e disciplina. Neste filme, é citado um conto sobre uma pessoa que cai de um prédio com 50 andares, durante a queda, a cada andar que passava a pessoa pensava, “até aqui, tudo bem”, passado alguns andares, para se reconfortar, a pessoa pensava denovo, “até aqui, tudo bem”, e eu vou deixar você adivinhar o que acontece no final. A moral do conto é que, o que conta não é a queda, mas sim, a aterrissagem. O final é trágico.
Eu chego nesta conclusão: Eu preciso mudar. Mudar de casa, de cidade, de país, de trabalho, de amigos, de rotina, de gosto musical, de vícios. Tudo precisa mudar para que eu não tenha um final trágico, o final que eu imagino para o meu amigo, por isso, é importante estar em constante movimento, me chacoalhando até que as amarras se disfaçam e eu consiga correr livre.
Procurar algo novo sempre. Buscar o que me completa, o que me torna eu mesmo, e não este estranho enclausurado. O cara caíndo do prédio aceitou, ele disse, “até aqui, tudo bem”, pois eu desafio isto, tento me agarrar a qualquer galho de árvore na beira do precipício, bater minhas asas para tentar desafiar a gravidade e voar para outro lugar. Não aceito cair.
Sendo mais racional e direto, e também, problematizando a minha geração, eu penso em como nós todos (da geração Z) estamos procurando um motivo para viver, um motivo para morrer e poder dizer chega, satisfeitos com o que foi da nossa breve estadia nesse plano que chamamos de vida. E as vezes eu me sinto bem otimista, acho que os sortudos que conseguirem chegar longe o suficiente, vão conseguir falar, “okay, fiz o que eu tinha que ter feito”, e enquanto não chegamos lá, temos que ter em mente que estamos a caminho. Acredito que a verdadeira satisfação só venha com a velhice. Até lá, se descubra, arrisque.
Esse texto acabou dando uma volta que eu não esperava. Escrevi isto em dois dias, e devo dizer que não imaginava um final positivo quando comecei ontem, mas fico feliz com a mensagem que deixei aqui. Não vou mudar o título para que fique visível a dualidade dos meus pensamentos. Talvez, não estejamos num limbo, mas sim numa escada, como estão seus quadríceps? As vezes descansamos, as vezes tropeçamos, mas seguimos subindo a escada. Eu peço a mim mesmo que siga subindo a escada. E não se atire do prédio.
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