Durante um longo final de semana eu infrentei um dos grandes desafios da vida de um homem. Um campeonato de tênis amador.

Para contextualizar, tênis é um esporte difícil, na verdade, talvez o mais difícil. Imagine que uma bola vem na sua direção á 150 quilômetros por hora, e você deve reagir, se movimentar até ela e rebater com precisão e força para que seu adversário não tenha uma bola fácil para rebater de volta, tudo isso enquanto sua família te assiste. Você, seu ego, seus músculos, sua gana por ganhar algo ao menos uma vez na vida, para poder falar que você venceu, que foi melhor que os adversários.
Há dois anos que eu jogo tênis, e no começo, eu mal conseguia rebater a bola de volta para o outro lado da quadra, por pura vaidade, eu queria ter a melhor técnica no forehand, queria sacar forte, acertar “winners” em todas as bolas, e é claro, nunca funcionava. Durante esses dois anos eu fiz aula regularmente, uma vez por semana, e participei de 3 torneios, incluindo esse de agora. Nessa jornada do tênis eu aprendi muitas coisas, uma delas incluí o fato de eu ser um péssimo competidor.
Sério, eu até consigo ganhar de pessoas que jogam bem menos que eu, consigo acertar meus saques, mas de forma alguma eu posso falar que sou bom jogador de tênis. Até que minha técnica é boa, perto dos outros eu sou o que “parece mais” um jogador de tênis, mas é pela pura vaidade que citei antes, em termos praticos, os outros jogadores do nível intermediário competem bem melhor que eu. Eles, diferente de mim, sabem ganhar uma partida.
Pois bem, vamos falar sobre o que aconteceu neste final de semana, o professor que me dá aulas de tênis frequentemente organiza campeonatos para os alunos, e para pessoas de fora que também podem se inscrever, e neste final de semana aconteceu um destes, no qual o seu eu lírico (ninguém) decidiu se inscrever.
O torneio incluía uma série de categorias, iniciante, avançado, duplas, feminino, infantil, etc. E eu decidi me inscrever no intermediário, pois atualmente é o que mais reflete o meu nível. O formato era o seguinte: A chave principal começava com todos jogadores, aos que perdiam, restava uma chave de consolação, um segundo prêmio apenas para os perdedores da primeira rodada, e para os que ganhassem, o torneio continuava normalmente.
Vou então eu jogar o primeiro jogo, sexta-feira á noite, chego lá e meu adversário já está me esperando, um tiozão daqueles “gente-boa”, tomando uma cerveja com os amigos, super sorridente e carismático, sobre-peso, o tipo que se você não tem alguma experiência como eu tenho com tênis, você diría que seria fácil de ganhar, pois você está mais que enganado.
No geral, não quero gastar muito tempo com esta partida, aqui segue um resumo do que aconteceu: Eu fiquei nervoso, joguei mal, poderia ter sacado melhor e ter errado menos bolas, jogado mais relaxado, mas mesmo nas condições perfeitas, provavelmente teria perdido, o adversário jogava melhor que eu e é importante admitirmos isso. O placar foi 8 – 2 para ele, poderia ter sido um 8 – 6 talvez, ou até um tie-break se eu tivesse jogado melhor, mas ele mereceu vencer.
Com isto eu vou para a chave de consolação, jogar contra os outros que também perderam sua primeira rodada. Até aí tudo bem, eu estava bem confiante, sabia que tinha jogado mal o primeiro jogo e que meu adversário poderia ser alguém mais tranquilo para jogar contra, meu jogo no sábado estava marcado para as 17:00, não conhecia meu adversário mas estava pronto mentalmente para a partida. Mas aí, enquanto eu almoçava no sábado recebo uma notificação do aplicativo que organiza os jogos do torneio, acontece que o cara que jogou contra mim pegou um outro rapaz que tinha recebido bye na primeira partida, ou seja, não jogou a primeira partida por não ter contra quem jogar, porém acabou perdendo na segunda rodada, e o sistema, ao invés de eliminar ele de vez, passou ele para a chave da consolação para jogar contra mim.
Acabou que teria sido um bug, então eu poderia ter simplesmente ignorado, mas mesmo assim, decidimos jogar a partida. Achei que seria justo já que ele não jogou a primeira, e não teria uma segunda chance na consolação, mas deixa eu te falar, que erro eu cometi, viu…
Acabamos jogando até o tie-break, um jogo repleto de erros, mudanças estratégicas, desafios mentais, onde um estava na frente e de repente o outro tomava a liderança, foi assim o jogo todo, e eu decidi correr, decidi que daria tudo de mim para ganhar esta partida e acabou que foi isso que aconteceu, ganhei de 10-8 no tie-break. Não satisfeitos com o drama da partida acabamos descobrindo depois que o tie-break iria até 7 pontos, e não 10, o que daria á ele a vitória da partida e não á mim. Uma daquelas irônias do destino, mas como já tinhamos acordado antes que jogariamos até 10, decidimos continuar com o resultado que foi jogado, sem discussões.
No momento da partida eu já estava sentindo certo sono, porque a partida foi logo após o almoço, eu estava meio letárgico, isso fez com que eu tivesse que aumentar mais minha intensidade, correr mais ainda, pular para me manter acordado, esse tipo de coisa que só faz você se cansar ainda mais. Resumo da ópera: Acabou a partida e eu estava morto. Meu corpo já estava pedindo arrego, decidi pegar um café, e pensando agora, talvez deveria ter comido alguma coisa para o próximo jogo, mas eu estava com dor de garganta então nem consegui sentir fome.
Minha terceira partida foi logo depois, fiz o aquecimento com meu adversário que ia jogar sua primeira partida do dia e percebi no aquecimento que jogava melhor que ele, ele não conseguia me machucar muito e era muito errático enquanto eu conseguia manter mais golpes fortes na quadra e por mais pressão, no entanto, estava cansado, e o que eu não esperei foi que ele fosse devolver todas as bolas em quadra. Ele chegava em curta, em funda, na esquerda e na direita. E eu, sem força para dar winners ou sacar forte tinha que me contentar em simplesmente devolver a bola, o que eu fiz, os pontos ficaram longos, dei meu sangue nessa partida, mas no final ainda perdi de 8 – 3, um placar que não faz jus ao quanto essa partida foi pegada e legal de jogar.
Decidi escrever este post na verdade muito por conta dessa partida em específico. Durante um ponto eu tive uma sensação de derrota e me perguntei, “por que eu estou jogando tênis?” e simplesmente percebi que era por que eu gostava, por tanto, seria burríce eu me irritar ou sair frustrado dessa partida, mas é claro que ainda assim eu queria ganhar, foi aí que eu decidi curtir a partida ao máximo, fiquei dizendo para mim mesmo, “só mais uma bola”, para me motivar a seguir no ponto, motivar minhas pernas a se mexerem mais, mas infelizmente foi tarde demais, ainda assim, espero que eu consiga adotar essa estratégia nas minhas próximas partidas e para todas as outras coisas na minha vida que são difíceis e requerem mais do que fazer o simples, mais do que simplesmente aturar o tempo da tarefa. Vou tentar entregar 100% de mim, fazer a mais e não a menos, isto é o que eu me proponho a fazer á partir de hoje. Quanto a minha família, eles pareceram ficarem satisfeitos com meu terceiro jogo, que foi o que eles acabaram vendo no sábado. Meus amigos infelizmente não conseguiram ir no horário do meu jogo.
Mesmo tendo perdido ainda sinto um orgulho de ter dado tudo de mim durante aquele breve momento, e sinto uma motivação para jogar ainda mais tênis e, talvez, num próximo torneio eu venha atualizar aqui e escrever uma história motivacional sobre como eu cheguei na final e acabei ganhando. É isso que eu espero pelo menos, mas, teremos que esperar mais um pouco.
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