O dia das crianças tá chegando (comecei a escrever isto antes) mas não é necessariamente o que me motivou a escrever este texto. Só calhou de coincidir que justamente agora eu fiquei reflexivo sobre algo que venho pensando há muito tempo, sobre quem eu sou, sobre minha personalidade e meus costumes, minha motivação para fazer as coisas.

Eu sou uma criança. Na verdade, não exatamente, eu não sou exatamente uma criança ou levo a vida de uma criança, eu sou um adulto, com um emprego, responsabilidades, contas, mas o que eu quero dizer é que por dentro, o que me motiva, o que me faz gostar da vida, o modo com o qual eu vejo a lógica do mundo, tudo isso é sim a criança dentro de mim que fala mais alto.
Antes de julgarmos se isto é uma coisa boa ou ruim, ou se eu realmente estou falando a verdade e não só repetindo algo que eu assisti em algum filme, eu gostaria de dar meus três motivos, que chamarei dos pilares que alicerçam este eu infantil que mora em minha subconsciência. Esses pilares serão: A brincadeira, a criatividade e a inocência. As três características que percebo que estão muito presentes na minha personalidade, e que entrego a uma espécie de espírito infatil que mora na minha alma.
A brincadeira: Eu vejo a brincadeira como meu amor pelos jogos, esportes, competições por mais bobas que sejam. A capacidade de interagir com alguém de modo lúdico é o que me traz mais felicidade, costumo me lembrar de quando eu escrevia músicas com meus primos mais velhos, escreviamos coisas engraçadas, e cantavamos enquanto caíamos em gargalhadas, ou quando ainda depois de velho, faço brincadeiras de adivinhação com meus amigos, e sem julgamentos, procuramos saber o que o outro está pensando com perguntas, por mais bestas que sejam, ou no teatro, basicamente em qualquer interação, tento mergulhar no meu eu infantil o máximo possível e buscar brincar durante e entre as cenas.
A criatividade: Apesar de andar lado a lado com a brincadeira, até porque, muitas vezes para brincar você precisa imaginar, eu inclúo a criatividade como algo separado, pois quero me referir as minhas habilidades criativas quando estou sozinho, seja compondo, escrevendo como aqui estou, produzindo músicas ou gravando vídeos. Eu preciso disso, tenho a necessidade de me expressar ou acabo esquecendo quem eu sou, me vejo trancado num espaço sem horizonte onde o rumo da minha vida é simplesmente ganhar mais dinheiro, comprar mais coisas.
E por último, a inocência: Aqui podemos considerar um termo mais brando, mas no geral quero significar ter a capacidade de não julgar, o poder de olhar as coisas como olhavamos quando eramos pequenos, como se as lentes que nos fizeram mais frios e mais sérios não existissem, e tivessemos capacidade de ver as coisas sem preconceitos e ideologias. Pequenos detalhes como uma opinião de outra pessoa sobre uma música, nós podemos julgar como se fossem imbecis que não entendem nada, “nossa, que mal gosto”, quando na verdade deveríamos ter a inocência de entender que pessoas tem opiniões diferentes das nossas e que nós mesmos não somos os donos da verdade em caso algum.
Com esses três pontos desenvolvidos, me proponho a fazer uma análise em cima destes. Sinto que quanto mais inibo o meu lado infantil, mais me sinto triste e isolado, estagnado e sem propósito. Explique para meu eu de 3 anos que tocava sua guitarra e cantava em seu microfone de brinquedo que ele na verdade não seria capaz de se expressar quando fosse maior, não seria capaz de cantar sem imaginar o julgamento alheio e que isto seria um impeditivo para ele.
Neste sentido, um dos meus principais objetivos hoje é me conectar com meu eu infantil, que carece de atenção, carinho, brincadeiras, criações. Que é inocente no modo de pensar, quase bobo as vezes, e que tem a humildade para aceitar o não saber. Ser quem veradeiramente sou, sem me problematizar a estética, as opiniões alheias, as falcatruagens e os julgamentos.
Finalizo dizendo que eu gostaria de que todos tentassem ser um pouco mais criança, não estou dizendo que devemos aprender com as crianças, ou tentando repetir algo genérico que todos falam sobre a infância. Digo que devemos ser menos, para nos tornar mais, algo inteiro. Hoje tanto nos nossos trabalhos, em relacionamentos, em discussões políticas, nós nos propomos a ter respostas para tudo, desistir quando algo não acontece do modo que gostaríamos, e esquecemos de baixar o tom, de brincarmos como criança, experimentarmos coisas novas e abrirmos nossos olhos para um horizonte além daquele que é óbvio dentro dos nossos paradígmas.
Portanto, convido vocês para serem mais criança comigo, o que pode até parecer uma tarefa fácil, mas talvez seja a coisa mais corajosa que eu já me propus a fazer.
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