blog do eu ninguém

Política, filmes, música, livros e tudo que se trata da minha mente perturbada.

Se eu tivesse que julgar, eu diria que sou uma pessoa inteligente, daquelas que tem um bom raciocínio lógico, entende o movimento natural das coisas, resolve problemas, cria soluções, porém, quando o assunto é relacionamentos, pessoas, é como se houvesse uma neblina densa á frente, e eu ando, ando e ando um pouco mais, segurando minha lanterna e gritando por ajuda, sem saber se vou dar de cara com uma mina de ouro, ou se vou cair de um precipício. Como pode alguém inteligente ser tão *clueless* quando o assunto é lidar com outra pessoa que se interessa por mim? Talvez seja por que simplesmente estas coisas não tem uma resposta lógica. É como procurar um padrão jogando numa roleta no cassino, você as vezes pode achar que a próxima cor vai ser o preto, por que já apareceram muitos vermelhos, mas a chance de você errar ou acertar é a mesma de antes, o reconhecimento dos padrões são falsos e você só está enganando a si mesmo tentando prever o que vai acontecer.

Dada esta introdução, gostaria de falar mais de mim mesmo e de Irene (este não é o nome dela, mas sim o nome de um filme estrelado pelo Jim Carrey). Nós namoramos durante um ano, durante este ano consigo dizer confiantemente que nunca conheci alguém igual a ela, tanto na parte boa, quanto na parte ruim. Na parte boa eu considero que durante este ano não fomos apenas namorados, mas também fomos grandes amigos, gostávamos de conversar um com o outro, de passar tempo juntos, de experimentar coisas novas, e de tudo mais que um casal poderia fazer. Nossos gostos são parecidos, nossas dores também, eu poderia ficar falando durante horas e horas sobre tudo que faz eu ter o carinho que eu tenho por ela, além de achar ela uma pessoa admirável em outros aspectos, mas também devo falar sobre a parte ruim. Antes de citar todos defeitos eu quero falar que de jeito algum eu sou ou fui perfeito, ou algo perto disto, eu cometi durante nosso relacionamento diversos erros que fizeram com que nós nos distanciássemos, fui injusto e muitas vezes fiz ela se sentir insegura, me fiz de vítima, não fui claro o suficiente e criei inseguranças para ela, eu mesmo sou muito inseguro e tenho problemas pessoais enormes, mas devo falar dos erros dela também. Como eu disse antes, ela foi minha primeira namorada, por isto, eu esperava dela mais paciência comigo, esperava mais comunicação, nunca tive de fato problemas com os problemas em si que ela, ou que nós, tínhamos, mas o que mais me incomodava era o fato de nós não conseguirmos trabalhar para resolver os ditos problemas, faltou de fato comunicação. Faltou também certa consistência, sinto que ela foi (e talvez seja ainda) muito inconsistente emocionalmente, uma montanha russa que eu tive o desprazer de embarcar. No geral eu gostaria que ela confiasse mais em mim para tentar resolver seus problemas, não que eu fosse um problema para ela ter que lidar, mas talvez tenha sido eu que tenha falhado nesta parte. É difícil escolher um culpado, falar quem teve mais culpa que quem. Uma frase que fica em constante repetição na minha cabeça foi algo que meu psicólogo me disse na nossa última consulta “Um relacionamento nunca termina exclusivamente por culpa de apenas uma pessoa”, a não ser que você seja a ex-esposa do jogador Kaká, eu imagino que este seja realmente o caso, portanto, não quero culpá-la de algo que eu poderia ter evitado, prefiro assumir a culpa e tentar ser uma pessoa melhor. Até porque eu posso ser bem babaca as vezes.

Chegamos então ao presente, onde algumas semanas atrás ela decide me contatar. Confesso que não estava esperando que fossemos nos falar denovo, do jeito que foi nosso último contato eu imaginei que não iriamos mais nos relacionar, e que talvez fosse melhor deste jeito, porém, aqui estou, escrevendo sobre esse contato repentino, que definitivamente virou meu mundo de cabeça para baixo. Desde o dia que recebi esta mensagem dela minha ansiedade tem piorado consideravelmente, até porque eu gosto muito dela, tenho medo de ser magoado denovo, de ter meu ego ferido, de perder denovo alguém cujo o luto talvez eu nem tenha superado ainda. Não só isto como toda a incerteza pairando o ar me deixa muito inseguro e ansioso, a cada mensagem recebida eu penso um milhão de vezes se deveria responder, ou se é melhor eu evitar a possibilidade da dor. A cada mensagem enviada eu penso se talvez ela vá perder o interesse em mim de repente, aguardo uma resposta que demonstra que ela gosta de fato de mim.

Não quero parecer aqui alguém emocionado (apesar de talvez estar um pouco com as emoções afloradas), mas sim quero retratar a realidade das minhas emoções e o sentimento das últimas semanas. Não pretendo e nem quero apressar as coisas, entendo que a valsa tem certo ritmo, que deve ser respeitado na dança, caso o contrário fica ridículo, erramos os movimentos e caímos com as pernas entrelaçadas batendo de bunda no chão. Não quero que seja assim, não quero que de repente ela mande uma mensagem de “Eu te amo”, até porque eu nem sei de fato como eu lidaria com isto. Eu simplesmente gostaria de ter a visão de um horizonte para os fatos, poder falar que sei onde estou me metendo e sei qual vai ser o output provável se eu decidir apostar minhas cartas na mesa. Por enquanto estou dando check para ver o river, porém sinto que já estou com muitas fichas na mesa, naturalmente, e não consigo enxergar quais cartas estou segurando em minhas mãos.

Ainda além desses detalhes, nós nos encontramos nessa sexta-feira (ontem, quando estou escrevendo isto), e tenho que ser sincero e dizer que foi bom (estranho talvez? porém bom). Conversamos sobre tudo e mais um pouco, fizemos incontáveis piadas sobre sermos ex namorados, rimos alto, tive que escutar algumas histórias sobre relacionamentos que ela teve nesse meio tempo (mas de certa forma eu até gosto que ela confie em mim para contar este tipo de coisa, apesar de ser torturante ouvir que ela se relacionou com outro homem), e também supreendentemente senti que ela queria conversar mais sério as vezes, como se ela estivesse me testando (e se auto-testando) para ver se deveríamos nos relacionar denovo. Ela também disse que se sentiu apreensiva de me ver, então, não consigo ver um mundo onde ela pensa no nosso possível relacionamento sendo apenas casual ou amigável. Acredito que nós vamos voltar a namorar, ou, caso contrário, o prudente é que continuemos nossas vidas, separados. Ainda falando sobre nosso encontro, é importante falar que no final, quando deixei ela na frente do condomínio dela nós nos beijamos, ela de forma um tanto quanto agressiva, quis me beijar segurando meu pescoço, me arranhando, e depois eu abracei ela, e ficamos assim por alguns segundos, relembrando o carinho que tinhamos um pelo outro. Posso estar simplesmente fantasiando mas vejo que há algo nestes pequenos gestos, como ela me arranhando como forma de me “marcar” para que eu não me relacione com nenhuma outra garota, ou ela falando que quer ir na peça que eu vou atuar, que vai acontecer só em dezembro, dando a entender que estaremos nos relacionando ainda até o fim do ano. Tivemos algumas falas cuidadosas, que nas entrelinhas eu lia “Estou disposto a tentar, talvez funcione dessa vez”.

Sinto que enquanto essa história não tiver um fechamento eu estarei beirando a insanidade, como se eu estivesse assistindo meu time perder uma partida de futebol, e com 10 minutos faltando, a única tática é cruzar a bola para dentro da grande área. Esse nível de ansiedade. Mas quero que as coisas fluam naturalmente, sem pressa, sem pressão, com suavidade. Ela me chamou também para sairmos dias 5 e 8, e espero que consigamos conversar mais, chegarmos em um acordo de que independentemente do resultado, seremos justos um com o outro, e não nos machuquemos atoa.

Enquanto isso, eu continuarei sendo eu mesmo, com minha inocência, acreditando que tudo pode dar certo e que eu tenho a capacidade de resolver qualquer coisa, mesmo que seja uma mentira que eu conto para mim mesmo.

Posted in

Deixe um comentário