Como um garoto judeu do suburbio, mergulhado em uma cultura que não é a minha, o blues toca a minha alma e faz parte de mim, o bend de uma guitarra é algo orgasmico, move os músculos do meu corpo de forma metafísica, inexplicável.
Eu não sou judeu. Eu nasci no subúrbio de Pelotas, no Rio Grande do Sul, apenas a 100 km do Uruguaim, um lugar extremamente frio no inverno, e extremamente quente no verão, algo que combinado com a minha personalidade. Nasci em 2002, bem distante do movimento folk estadunidense que eu conheci anos depois, e bem distante do Robert Allen Zimmerman, ainda assim, posso dizer que sinto que uma grande parte da minha personalidade pode ser conectada a ele, o primeiro a se desconectar do seu nome, da sua cultura, abraçar a modernidade, a negritude, a alma e a artisticidade do blues para se conectar com o mundo como ele experienciava, e não necessariamente como ele é.
Se as vezes eu me sinto desconectado é por que eu deixo de tocar o mundo como eu o experiencio, por que não tive a coragem que o Bob teve, por que não sei racionalizar toda a frustração que tenho, mas no fundo eu só devo me jogar, sentir o blues na minha pele, sentir o bend ir cada vez mais fundo, em mi menor, aceitar que devo tudo a esse sentimento e que esse sentimento me representa.
No final eu não sei o que quero, o que devo fazer, mas sei que isto é o correto. Devo amar, devo buscar e devo afundar minhas mágoas na músicalidade. Viva o blues, viva Bob Dylan, e que venha 2026.
Like Dylan’s Mr. Jones.
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