O conceito é simples e rotineiro. Todo mundo já teve momentos onde se lembrava de que um dia iria morrer, e isto te motivava a querer viver mais ainda, memento mori, é uma frase repetida e vista por aí em tatuagens nas pessoas mais chatas e desinteressantes que você conhece. O meu propósito com isto não é ser mais um a repetir os clichês, mas sim levantar uma indagação, trazer a resposta e trabalhar as possíveis soluções deste problema. E aqui jaz a questão: Esquecemos de que vamos morrer?
Existe um problema claro e multigeracional dos integrantes do então chamado século XXI, o até então século mais curto, mas com o maior número de revoluções técnológicas, mudanças de paradigmas, acesso a informação, e tudo que a vida moderna e globalizada está disposta a nos oferecer, porém, tudo que está acontecendo parece tão dinâmico e rápido de que esquecemos da principal força motora do ser humano, que deveria guiar todas as decisões, medos e prazeres. Esquecemos de que somos mortais e que estamos fadados a desaparecer deste mundo.
Quando devemos decidir o que veradeiramente importa na nossa vida, a morte deve tomar uma posição primordial nas nossas escolhas. Perguntas como, “Vale a pena morrer por isto?”, “Os meus dias contados aqui na terra, serão bem gastos com isto?” devem ser pivotais ao tomar uma decisão verdadeiramente importante. Tudo que gera propósito leva a um destino final, como num filme que começa com um propósito definido, e leva a um grande climax resolvendo este problema inicial, porém, uma das ironias da vida, é que todos nós temos o mesmo destino final, certeiro desde que nascemos, e este deve não só ser nosso maior medo, como também deve ser o maior incitador para aproveitarmos o tempo que ainda nos resta.
O que vejo hoje no entanto é que, para a maioria das pessoas, não existe esta urgência, este medo. Pense na sua rotina enquanto eu penso na minha, no que você faz na maioria dos dias, a partir de quando você acorda, até a hora que você vai dormir, e pense, é assim que devo estar vivendo minha vida, mesmo sabendo que posso morrer?
Não estou pedindo para que nós todos simplesmente saiamos tendo constantes epifanias, larguemos nossos empregos, e vivamos de modos extremos, como devotos religiosos, hedonistas sem freio, artistas insanos ou apaixonados dependentes, mas que sim façamos as decisões corretas, com base nos fatos, e o *único* fato que é certeiro em qualquer decisão é o fato de que vamos morrer.
Talvez, ao pensar hoje a noite, depois que você chega do trabalho cansado, se você deveria ficar assistindo a vídeos no instagram durante horas, ou se deveria brincar com seu filho, se levar em conta o fato de que um dia você vai morrer, de que seu filho vai crescer e que este momento vai acabar e nunca mais vai voltar, só talvez, então você se tome de conta de que existe uma decisão que é clara e notória, apesar de não ser comum.
Apesar de que, nem toda a decisão pede uma meditação tão profunda sobre nossa mortalidade. Não estou pedindo para que decidamos que calça usar para um encontro, com base na possibilidade de morrer, apesar que, se fosse para ser atropelado e sair no jornal, eu preferiria estar bem vestido.
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