Eu fui maltratado boa parte da minha vida. Meu pai nunca quis ser um pai de verdade para mim, minha mãe foi mãe muito cedo e nunca esteve preparada o suficiente, e por isso, eu acabei sofrendo muito. Minha avó, que cuidou de mim até meus 9 anos, morreu de um infarte enquanto eu dormia do seu lado, e de repente, eu me vi sozinho no mundo. Durante um tempo eu depositei minha confiança e meu carinho no meu padrasto, mas por influência da minha mãe eu deixei de ver ele como um pai e logo, ela teve câncer de mama, e durante o tratamento eu acabei ficando isolado, triste, ansioso, e isso lápidou a forma como eu vejo as coisas até hoje.
E agora eu estou aqui tentando ser a melhor versão de mim mesmo. Estou num relacionamento, que recentemente, vem sendo bastante conturbado, entre idas e vindas, brigas constantes, problemas externos, minha ansiedade e meus problemas com pessoas se demonstram cada vez mais presentes.
Meu relacionamento vem sendo estável há cerca de 2 semanas, logo depois do carnaval, onde nos entendemos e depositamos confiança um no outro, após uma briga pesada e cruel onde nos machucamos ambos, bastante.
E agora eu sento aqui, com um peso diferente na minha cabeça, o medo de ser traído, de ser abandonado novamente. De perder uma pessoa que representa o meu futuro, medo dessa pessoa amar a alguém que não seja apenas eu.
É difícil para mim aceitar que não tenho controle sobre certas coisas, mesmo que tudo pareça bem, é difícil para mim pensar que não estou sendo lentamente abandonado, não ter minha autoestima baixa. Me sinto preso a este sentimento de angústia, e os pensamentos de abandono se repetem na minha cabeça como um mecanismo de defesa, para que eu não me machuque no futuro, quando eventualmente vou ser abandonado denovo, ou pelo menos assim eu penso.
Mas a verdade é que eu não posso controlar estas coisas, não posso controlar caso alguém decida me abandonar, não posso controlar quem saí da minha vida por escolha própria, e com certeza esse sentimento de auto defesa só afasta ainda mais quem é verdadeiramente importante para mim.
Tenho medo de ceder totalmente, de confiar cegamente, pois tenho medo de me machucar, de sofrer aquilo que eu já sofri e cair em descontento com o luto de me liberar das amarras que tenho com alguém.
Eu sento e me pergunto, “Como aceitar, e deixar o meu futuro nas mãos do destino?”. Como eu posso simplesmente confiar cegamente, aceitar que para ser amado não basta apenas amar, mas também libertar, respeitar e deixar com que as coisas sigam seu caminho natural.
Certas situações que remetem a me sentir traído se repetem na minha cabeça. Falsas lógicas são criadas para com que eu tenha de justificar minhas ansiedades e meus pensamentos intrusivos. Cansativas espirais são exploradas enquanto eu penso em tudo que poderia, pode, ou já deu errado.
Para me libertar dessas amarras eu devo simplesmente confiar cegamente. Escolher depositar a ousadia de ter alguém que pode me machucar e, escolher acreditar. Como um crente acredita em seu Deus, acreditar que nada de ruim vai acontecer direcionado á mim.
Tenho medo que ela, por conta das suas inseguranças, busque validação em outras pessoas, para se sentir desejada. Tenho medo de que ela ainda ame como amou no passado, e que este amor volte a ter pujancia, e torne o nosso amor absoleto. Tenho medo que de todas as coisas que já aconteceram entre nós, eu fique como culpado e volte a ser odiado como fui anteriormente.
Mas a verdade é que dentro dessas coisas o único controle que tenho de verdade é sobre mim e sobre minhas ações positivas, que podem aumentar nosso amor, aumentar a confiança, e diminuir a necessidade de oposições externas.
Portanto, assumindo a minha devoção a ser amado, e a este relacionamento, eu devo simplesmente confiar, amar, e depositar, do que há de mim, a chance que o relacionamento tem de funcionar, e parar de dar tanta atenção a chance de não funcionar.
Escrevo isto sabendo que pensamentos ruins como os que eu citei vão voltar para a minha cabeça. Cabe a mim dar a correta desimportancia para estes pensamentos intrusivos e voltar minha atenção a aquilo que é a verdade, ao invés de alimentar minhas inseguranças como venho fazendo.
Eu me perdôo por me sentir desta forma, e entendo por que eu me sinto assim, e então conclúo que as coisas vão acontecer como tem de acontecer, e que eu sou o verdadeiro vilão dentro da minha mente, corrompendo aquilo que deve ser belo.
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