Recentemente eu terminei com a garota que eu pensava ser o amor da minha vida. A mesma que eu já escrevi sobre aqui no blog algumas vezes. E preciso dizer que tem sido difícil, principalmente por saber que, apesar dos pesares, ela ainda sente algo por mim, e que eu poderia simplesmente mandar uma mensagem para ela e nós voltaríamos a nos falar.
O problema é que falar com ela já não faria mais sentido. Seria uma forma de me manter preso a um sentimento, preso a um tempo que já passou, preso a uma possibilidade de futuro que já se demonstrou impossível. A verdade é que tudo que eu sonhei com ela, todas as possibilidades, não vão se concretizar num futuro, e a realidade é dura, de que nosso relacionamento seria estressante demais, difícil, que em algum momento ela se sentiria mal comigo, e eu me sentiria mal com ela, a um ponto de não aguentarmos mais um ao outro. E é bom que acabe assim. Talvez, se tivessemos filhos, acabassemos machucando eles no processo também. Talvez ela finalmente se suicidasse um dia e eu ficasse traumatizado pela minha vida inteira, talvez eu fizesse algo estúpido enquanto estou no relacionamento que fizesse com que eu me arrependesse disso pelo resto da minha vida.
Porém mesmo sabendo dessas possibilidades, este relacionamento tomou uma parte considerável dentro de mim, e agora, cortar esta parte dói, como se eu tivesse de arrancar um membro do meu corpo. O problema é que eu me vejo com tempo nas minhas mãos, e sem um rumo certeiro para o meu futuro. Porém, eu decido ver isto com bons olhos. Talvez cortar o câncer do nosso corpo não seja tão ruim assim. Talvez o tempo que eu tenha em minhas mãos me dê espaço para cuidar daqueles que estão verdadeiramente ao meu redor e me amam de verdade, podendo assim trazer alguma satisfação para a minha vida. Até porque, se eu continuasse com essa pessoa com a qual eu terminei, essas pessoas que me amam ao meu redor apenas se machucariam, se machucariam ao ver que eu me machuco, se machucariam vendo o jeito que sou tratado, e se machucariam pelo jeito que esta pessoa os trata também.
Então agora eu concluo o que é o correto para minha vida. Mesmo que eu não saiba qual o meu motivo ainda, mesmo que eu não saiba como vou preencher 100% desse tempo do qual eu me dedicava para o relacionamento, por achar que este era o único futuro possível para mim. Eu ainda posso preencher 50% desse tempo, e com o tempo ir encontrando novas paixões, novos motivos e novos jeitos de preencher meu tempo e visualizar meu futuro.
E quanto ao “como” eu vou “cortar fora” essa parte de mim. Bom, acredito que seja isto que eu estou fazendo enquanto eu escrevo este post. Estou cortando esta parte, estou preenchendo o vazio, estou vendo e visualizando o por que das minhas decisões e vendo que eu realmente agi corretamente, e de acordo com a pessoa que sou de verdade. Talvez até seja o melhor para ela também, agora que ela pode focar mais em si mesma, sem se preocupar com o relacionamento, sem se estressar comigo. De qualquer jeito, ainda desejo a maior sorte para ela, e que ela tenha tudo que ela precisa e merece, mas a verdade é que eu não sou uma dessas coisas. Eu mereço sofrer por outros motivos, coisas que consigam me preencher, problemas que eu verdadeiramente consiga resolver, e assim poder viver e morrer uma vida que valeu a pena.
Eu tenho uma opinião que talvez seja equivocada, de que não existe decisão certa ou errada, apenas existe a decisão que você toma. Mas as vezes algumas coisas fazem mais sentido que outras, dentro do meu diálogo interno. É claro que é possível você justificar qualquer coisa para si mesmo, e ditadores genocídas são os melhores em fazerem isto. Mas dessa vez acredito que minha decisão é a que faz mais sentido, para que ninguém sofra mais do que o necessário. Para que ninguém continue com a insanidade de fazer as mesmas coisas e esperar resultados diferentes. A mudança é necessária, e esse pedaço que hoje eu estou cortando de mim, vai crescer de novo, diferente, mais forte, mais correto.
De certa forma, esta é a beleza de estar vivo. Só se aprende errando, é verdade.
Deixe um comentário